27 de janeiro de 2026

- Obrigado!

  A solidariedade do Ricardo Brito ao longo de vários anos é o exemplo mais puro de uma amizade fraterna que merece ser exaltada. Guardo na memória as longas noites de dedicação plena ao RiTuAL Bar, onde tantas vezes contou com o apoio generoso do André Medeiros — outro bom amigo que, infelizmente, já não se encontra entre nós, mas cuja presença permanece viva na nossa saudade.

Um agradecimento profundo ao Paulo Marques, que será sempre o meu "Brother Paulo". O seu apoio constante, em diversos níveis e desde a génese deste projeto, foi o ânimo de que precisei para seguir em frente.

À Fátima Alves, a minha eterna gratidão pela disponibilidade ímpar nos momentos mais difíceis. O teu conforto e a tua presença foram o amparo necessário quando tudo parecia mais pesado.

A todos, o meu mais sincero obrigado por terem caminhado ao meu lado.





17 de janeiro de 2026

"A minha casa era o Ritual" - Ana Rita



 A propósito desta imagem,  a minha filha Ana Rita honrou-me com este comentário:

"A minha adolescência foi assim ... a minha casa era o Ritual, o nosso bar que era como uma casa, aqui podíamos encontrar chá quentinho, um bom café, um bom chocolate quente, cocktails sem álcool mas cheios de cor, as famosas princesinhas (uma adaptação da Francesinha do Porto), mas ... sobretudo, boas conversas... boa música...poesia.. .arte, foi assim que o meu Pai refez a sua vida nesta época, comigo ao seu lado e com tantas pessoas que foram cura e casa para nós e nós para elas! O meu Pai trabalhava duro, eu era uma adolescente normal com uma vida bem diferente, pois quando saía da escola não ia para uma casa propriamente dita mas ia para nossa casa! Este bar que era a nossa casa... sempre quentinho... sempre acolhedor! Obrigada Pai por este tempo inesquecível das nossas as vidas... foi duro mas foi bom! Amo-te muito! Ah e esta cara séria, provavelmente prestava atenção a algum poema ou atuação ... não pareço muito feliz, mas era!!!".

Ficaram-me gravadas as palavras da Ana Rita, escritas com uma sensibilidade rara: "...foi assim que o meu Pai refez a sua vida nesta época, comigo ao seu lado e com tantas pessoas que foram cura e casa para nós — e nós para elas!"

Esta frase resume o que foi o RiTuAL Bar. Muito mais do que um local de passagem, foi a casa de uma grande família. Um porto seguro onde a amizade servia de confessionário para partilhar as alegrias e amparar as (poucas) tristezas. Era (também) a materialização do "Sonho de Durban" (https://estoriasdetrazerporcasa.blogspot.com/2026/01/o-sonho-de-durban.html )

É difícil, neste exercício de memória, conseguir agradecer a cada pessoa que funcionou como um bálsamo para a nossa alma. Mas há nomes que o coração não deixa esquecer. Deixo aqui um abraço público ao Paulo Marques, à Fátima Alves, ao Ricardo Brito e a todo este grupo incrível: André Medeiros, Graça Cardoso, Ângela Mateus, Rui Marques, Paulo Ribeiro, Nando Duarte, Ângelo Silva, João Soares, Rui Dias, Henrique Barreto, Francisco Rolo, Raquel Silva, Joaquim Maia, João Paulo, João Paiva, Rita Moita, Juliana Leitão, Sérgio Guerra, Roméo Vieira e Quim Ribeiro...

A todos vocês, e aos muitos que os "etc." não conseguem nomear: o meu muito obrigado.

 


14 de janeiro de 2026

My Brother Paulo

 

Conheci o Paulo Jorge Lourenço Marques alguns anos antes de o RiTuAL Bar ganhar vida. O que nos aproximou, inicialmente, foi o amor comum pelos animais. Entre conversas de ocasião, partilhei o projeto do meu sonho; ele retribuiu com a amizade e o apoio moral decisivo nos momentos em que a dúvida me assaltava.

Inspirado pelos traços que o arquiteto passou para o papel, transformei fraquezas em forças. 

Quando o sonho finalmente viu a luz do dia, rodeado de família e amigos, o Paulo estava lá. Recordo o abraço que trocámos e as palavras que me sussurrou: “Força, muita força…”

Desde esse momento, sempre que o desafio crescia, o Paulo tornava-se o meu braço direito. Tornámo-nos "irmãos" de coração e para sempre.

11 de janeiro de 2026

RiTuAL Bar: onde a Arte e a Cidadania se cruzavam em Oliveira do Hospital



Manuel Alegre  no ano de 2006



No panorama cultural e social de Oliveira do Hospital, poucos espaços deixaram uma marca tão eclética como o RiTuAL Bar. Mais do que um local de lazer, o estabelecimento afirmou-se, especialmente entre 2005 e 2007, como um palco privilegiado para o debate democrático e a expressão artística espontânea.

O Fervor das Presidenciais de 2006

O ano de 2006, marcado por uma das corridas presidenciais mais disputadas da história recente, que opôs figuras como Cavaco Silva, Manuel Alegre e Mário Soares — encontrou no RiTuAL um eco local. No dia 6 de janeiro desse ano, o bar serviu de sede para uma tertúlia dedicada à "Cidadania", inserida na campanha de Manuel Alegre.
O debate, que contou com as presenças de Elísio Estanque, José Gama e Pedro Bandeira, antecipou o clima eleitoral que levaria Manuel Alegre ao segundo lugar nas urnas, atrás de Cavaco Silva.
O ano de 2026, entretanto, suplantou  todas as expectativas: 11 candidatos "baralham as contas"  aos eleitores.

Debate Social e Intervenção

A vocação do espaço para a intervenção cívica não se esgotou na política partidária. Em fevereiro de 2007, o RiTuAL acolheu um debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, um tema que então dominava a agenda nacional. O evento, organizado pelo Movimento de Intervenção e Cidadania por Coimbra, foi moderado pelo jornalista Henrique Barreto e reuniu especialistas como as Dras. Alice Castro e Margarida Bandeira. além do Dr. Pedro Bandeira.

"Música Vadia" e Erotismo na Poesia

Para além da política, o RiTuAL era um refúgio para as artes. A sua filosofia incluía exposições regulares de pintura e artesanato, mas era na palavra dita e no som que o espaço ganhava uma alma única:
Sessões de Poesia: Momentos marcantes como o serão dedicado ao “Erotismo na Poesia”, onde vozes como as de José Vieira , Álvaro Assunção e João Dinis reabilitaram clássicos de Bocage, Natália Correia e de outros autores
Música ao Vivo: Entre concertos programados e divulgados à comunidade, surgia a chamada “música vadia” — sessões improvisadas que, sem dia nem hora marcada, aconteciam simplesmente, ao sabor da presença de músicos e clientes.
Como refere a memória viva do espaço, o RiTuAL Bar servia "copos", mas o seu verdadeiro serviço à comunidade eram os "pretextos para dois dedos de conversa em ambiente a condizer", mantendo viva a chama da convivência democrática.

10 de janeiro de 2026

Havia um sonho

No aconchego de uma boa conversa,
em ambiente a condizer, talvez poesia, música, artesanato ...


Em 1999 ganhou corpo e nome, e dele fiz morada, rumo e promessa. Era um sonho habitável, onde a vida cabia inteira: o riso solto, os dias longos, a certeza ingénua de que o tempo obedeceria à vontade do coração.
Durante anos caminhei dentro dele, sem pressa, como quem sabe que chegou ao lugar certo. Cada gesto tinha sentido, cada passo deixava marca.
Mas a vida, que nunca pede licença, mudou o curso do rio em 2008. O brilho recolheu-se, como o sol quando decide esconder-se atrás de nuvens densas, e a existência ficou suspensa num intervalo sem nome. Fiquei preso por um fio — fino, quase invisível — tecido pela Ciência, esse engenho humano que desafia o destino e negocia com o impossível.
O corpo, cansado de tantas batalhas silenciosas, aprendeu a ficar. A permanecer. Foi reprogramado para se manter de pé, mesmo quando a alma pesava mais do que a carne. Dentro dele, a alma resistia, vigilante, recusando-se a abandonar o sonho. Não o sonho intacto, mas o que sobrevivera.
Desde então, vivo de outra maneira. O tempo deixou de correr; passou a respirar. O sonho recolheu-se às memórias, onde permanece desperto. Habita os sons guardados com ternura, as imagens que o amor selou para sempre — instantes pequenos, luminosos, invencíveis.
Há dias em que preciso regressar. E então acontece o milagre: as memórias erguem-se, ressuscitam, ganham asas e voam. Aprendi que nem tudo o que a vida interrompe se apaga. As belezas da minha vida são eternas — e só essas. Não envelhecem, não adoecem, não se rendem. Acompanham-me, silenciosas e fiéis, até ao dia da derradeira viagem ao desconhecido.






Aerógrafo - "ao vivo"

workshop  de aerografia destinado aos professores (e alunos...) por um artista oriundo da comunidade estrangeira, Wild de Wildt

 

Multi-instrumentista


 

O mestre

Rui Marques

 

Dizer poesia


 

Sons de qualidade superior